Dispositivo de Ancoragem

Dimensionamento e Inspeção de dispositivos de ancoragem: requisitos da NR-35 e NBR 16325

Dispositivos de ancoragem: Guia completo de requisitos da NR-35 e NBR 16325

Os dispositivos de ancoragesmão elementos fundamentais para a segurança dos trabalhos em altura. No entanto, sua eficiência não depende apenas da resistência do componente instalado, mas de um projeto que considere a estrutura existente, as condições da operação e o comportamento de todo o Sistema de Proteção Individual Contra Quedas (SPIQ).

Antes de avançar, é importante diferenciar dois conceitos que frequentemente são tratados como sinônimos. O dispositivo de ancorageémo local onde o trabalhador conecta seu EPI, enquanto o dispositivo de ancoragem é o componente do sistema projetado para disponibilizar um ou mais pontos de conexão de forma segura. Essa distinção é adotada pela própria ABNT NBR 16325, que estabelece os requisitos técnicos para os dispositivos de ancoragem utilizados em sistemas de proteção contra quedas.

Além da NBR 16325, a NR-35 determina que os sistemas de ancoragem sejam projetados, dimensionados, instalados e inspecionados considerando os riscos específicos da atividade, garantindo que todos os componentes atuem de forma integrada.

Neste artigo, você entenderá os principais critérios para especificar, dimensionar e

inspecionar dispositivos de ancoragem, além das responsabilidades envolvidas na elaboração de um sistema seguro e em conformidade com a legislação.

O que é um dispositivo de ancoragem?

Um dispositivo de ancoragem é o componente responsável por conectar o trabalhador ao sistema de proteção contra quedas. Sua função é transmitir, de forma controlada, os esforços gerados durante uma eventual retenção de queda para a estrutura onde está instalado.

Entretanto, sua utilização não pode ser analisada isoladamente. A segurança depende da compatibilidade entre todos os elementos do SPIQ, incluindo cinturão, elemento de ligação, absorvedor de energia, trava-quedas, estrutura receptora e documentação técnica do projeto.

O que estabelece a NBR 16325?

A ABNT NBR 16325 é a principal norma brasileira para dispositivos de ancoragem destinados aos sistemas de proteção contra quedas.

Sua estrutura é dividida em duas partes:

  • NBR 16325-1:2024 – requisitos para dispositivos dos tipos A, B, D e E;
  • NBR 16325-2:2024 – requisitos específicos para dispositivos do Tipo C, destinados às linhas de ancoragem horizontais flexíveis.

Essa classificação demonstra que diferentes cenários de trabalho exigem soluções distintas. A escolha do dispositivo deve sempre considerar o ambiente, a atividade executada, a estrutura disponível e as necessidades de movimentação do trabalhador.

Tipos de dispositivos de ancoragem

Tipo A

São dispositivos fixados permanentemente a uma estrutura por meio de uma ancoragem estrutural ou elemento de fixação adequado. São amplamente utilizados em coberturas, fachadas, plataformas industriais e demais locais onde existe necessidade de um ponto de conexão permanente.

Tipo B

Correspondem aos dispositivos transportáveis, como tripés, monopés, pega-vigas e eslingas de ancoragem. São indicados para operações temporárias ou locais onde não existe infraestrutura permanente de proteção contra quedas.

Tipo C

Os dispositivos Tipo C correspondem aos sistemas de linha de ancoragem horizontal flexível, compostos por elementos como cabos de aço ou cordas, conforme a configuração do sistema. Eles permitem o deslocamento contínuo do trabalhador ao longo de uma trajetória protegida, sendo regulamentados especificamente pela NBR 16325-2.

Tipo D

São sistemas compostos por linhas de ancoragem rígidas, normalmente constituídas por trilhos ou perfis metálicos. Essas soluções oferecem maior controle do deslocamento e

menor deflexão do sistema durante uma eventual queda, sendo muito utilizadas em ambientes industriais e operações de manutenção com movimentação contínua.

Tipo E

Introduzidos na revisão da NBR 16325-1:2024, os dispositivos Tipo E utilizam massa e interação com a superfície para garantir sua estabilidade, dispensando a fixação permanente à estrutura. Sua aplicação depende das características do local, das condições de uso e do correto dimensionamento do sistema, não devendo ser confundida com soluções improvisadas baseadas apenas na adição de peso.

Segurança começa no projeto

Independentemente do tipo de dispositivo escolhido, nenhum sistema de ancoragem deve ser especificado apenas com base na resistência do componente. A segurança depende de um projeto que considere a estrutura receptora, as cargas previstas, o número de usuários, a Zona Livre de Queda (ZLQ), o fator de queda e a compatibilidade entre todos os elementos do SPIQ.

É essa abordagem de engenharia que garante que o sistema atenda às exigências da NR-35 e da NBR 16325, proporcionando proteção efetiva ao trabalhador durante toda a operação.

Como especificar corretamente um

dispositivo de ancoragem?

A especificação de um dispositivo de ancoragem vai muito além da escolha de um dispositivo certificado, para que o sistema seja realmente seguro, é necessário avaliar as características da estrutura, os riscos da atividade, a movimentação do trabalhador e o comportamento de todo o Sistema de Proteção Individual Contra Quedas (SPIQ).

Em outras palavras, um dispositivo adequado instalado no local errado ou em uma estrutura incapaz de suportar os esforços previstos compromete toda a eficiência do sistema. Por isso, a especificação deve sempre fazer parte de uma análise técnica mais ampla, fundamentada nos requisitos da NR-35 e da ABNT NBR 16325.

Quais fatores devem ser considerados no dimensionamento?

O dimensionamento de um sistema de ancoragem exige que diversos parâmetros sejam avaliados em conjunto. Não existe uma solução única para todas as aplicações, pois cada operação apresenta características próprias.

Entre os principais critérios estão:

  • resistência da estrutura receptora;
  • tipo de atividade executada;
  • movimentação prevista do trabalhador;
  • fator de queda;
  • Zona Livre de Queda (ZLQ);
  • número de usuários conectados simultaneamente;
  • compatibilidade entre os componentes do SPIQ;
  • possibilidade de resgate.

Todos esses fatores influenciam diretamente a definição do sistema mais adequado e devem constar na documentação técnica do projeto.

A estrutura é tão importante quanto o dispositivo

Um dos erros mais comuns é concentrar a atenção apenas no dispositivo de ancoragem e desconsiderar a estrutura onde ele será instalado.

A NR-35 determina que a estrutura receptora seja capaz de suportar os esforços transmitidos pelo sistema durante uma eventual retenção de queda. Isso significa que não basta utilizar um dispositivo certificado: é indispensável verificar se a estrutura possui capacidade resistente compatível com as cargas previstas em projeto.

Em muitos casos, essa análise exige cálculos estruturais específicos e pode indicar a necessidade de reforços antes da instalação do sistema.

O número de usuários interfere no projeto

Outro aspecto frequentemente subestimado é a quantidade de trabalhadores que utilizarão o sistema simultaneamente.

A capacidade de um dispositivo ou de uma linha de vida não deve ser presumida. Ela depende do projeto, da configuração do sistema e dos ensaios aplicáveis. Além disso, o dimensionamento precisa considerar os esforços decorrentes de possíveis quedas simultâneas ou sequenciais dos usuários conectados.

Por esse motivo, o número máximo de trabalhadores autorizados deve estar definido na documentação técnica e identificado no próprio sistema quando aplicável.

Zona Livre de Queda (ZLQ): um dos cálculos mais importantes do projeto

Mesmo utilizando equipamentos certificados, o sistema pode não proteger o trabalhador se não houver espaço suficiente para que a queda seja interrompida com segurança.

É justamente essa distância mínima necessária que recebe o nome de Zona Livre de Queda (ZLQ).

O dimensionamento da ZLQ deve considerar o comportamento de todo o SPIQ, incluindo fatores como o comprimento do elemento de ligação, a atuação do absorvedor de energia, a distância entre o ponto de engate do cinturão e os pés do trabalhador, além da margem de segurança aplicável. O objetivo é garantir que, durante a retenção da queda, o trabalhador não colida com o solo ou com obstáculos existentes abaixo da área de trabalho.

O fator de queda também influencia o sistema

Outro parâmetro indispensável é o fator de queda (FQ), que representa a relação entre a distância percorrida na queda livre e o comprimento do elemento de ligação.

Quanto maior o fator de queda, maior tende a ser a energia envolvida na retenção, aumentando os esforços transmitidos ao sistema e ao trabalhador. Por isso, sempre que

possível, o projeto busca posicionar os dispositivos de ancoragem acima do usuário, reduzindo o fator de queda e contribuindo para uma operação mais segura.

Entretanto, um fator de queda reduzido não elimina a necessidade do cálculo da ZLQ. Ambos os parâmetros devem ser analisados em conjunto durante o dimensionamento do sistema.

Qual é o papel do Profissional Legalmente Habilitado (PLH)?

Nos sistemas permanentes, o projeto, o dimensionamento e a instalação devem estar sob responsabilidade de um Profissional Legalmente Habilitado (PLH), responsável pela elaboração da documentação técnica e pela definição dos critérios de engenharia aplicáveis.

Já nos sistemas temporários, a NR-35 permite que os pontos de fixação sejam selecionados por trabalhador capacitado, desde que essa seleção siga um procedimento elaborado por PLH e ocorra mediante autorização formal da organização.

Essa diferenciação reforça que a segurança não depende apenas do equipamento utilizado, mas do correto planejamento da operação e da aplicação dos procedimentos previstos para cada situação.

Dimensionar é garantir o desempenho do sistema

Dimensionar um dispositivo de ancoragem não significa apenas verificar sua resistência mecânica. Significa garantir que todos os componentes do SPIQ funcionem de forma integrada, considerando a estrutura existente, a atividade executada e as condições reais de uso.

É essa abordagem de engenharia que permite desenvolver sistemas capazes de proteger o trabalhador, atender aos requisitos da NR-35 e da NBR 16325 e proporcionar maior segurança durante toda a operação.

Como inspecionar um sistema de dispositivos de ancoragem?

A instalação de um sistema de ancoragem não representa o fim do processo de segurança. Ao longo da vida útil, fatores como exposição às intempéries, ambientes corrosivos, impactos mecânicos, vibrações e alterações estruturais podem comprometer o desempenho dos componentes.

Por esse motivo, a NR-35 determina que os sistemas de ancoragem sejam submetidos a inspeções e que sua utilização esteja vinculada a procedimentos operacionais e documentação técnica compatíveis com o projeto. A inspeção periódica não deve ser vista apenas como uma exigência legal, mas como uma etapa essencial para garantir que o sistema continue oferecendo o nível de proteção para o qual foi dimensionado.

Quando um sistema deve ser inspecionado?

A NR-35 estabelece dois momentos obrigatórios de inspeção do sistema de ancoragem:

  • Inspeção inicial, realizada após a instalação, alteração ou mudança de local;
  • Inspeção periódica, executada conforme o procedimento operacional, respeitando o projeto, as instruções do fabricante e as normas técnicas aplicáveis, com periodicidade máxima de 12 meses.

Além dessas inspeções, a Atlas Safe recomenda que seja realizada uma inspeção rotineira antes de cada utilização, verificando visualmente as condições dos componentes e identificando possíveis sinais de desgaste, deformações ou danos que impeçam o uso seguro do sistema.

O que deve ser avaliado durante a inspeção?

Uma inspeção técnica vai muito além da verificação visual do dispositivo de ancoragem. O objetivo é confirmar que todo o sistema permanece compatível com as condições previstas em projeto.

Entre os principais itens avaliados estão:

  • corrosão, oxidação ou desgaste dos componentes;
  • deformações permanentes;
  • fissuras ou trincas;
  • integridade das fixações;
  • condições da estrutura receptora;
  • compatibilidade entre os componentes do SPIQ;
  • alterações na área de instalação que possam afetar o funcionamento do sistema.

Sempre que necessário, também devem ser verificados os registros de manutenção e o histórico das inspeções anteriores, permitindo acompanhar a evolução das condições do sistema ao longo do tempo.

O que fazer após uma queda?

Sempre que um sistema de ancoragem ou qualquer componente do SPIQ for solicitado durante uma retenção de queda, ele não deve retornar automaticamente ao uso.

Após esse tipo de ocorrência, é indispensável realizar uma avaliação técnica conforme o projeto, as recomendações do fabricante e os procedimentos operacionais aplicáveis.

Componentes que tenham sofrido deformações, impactos ou danos devem ser retirados de serviço e substituídos quando necessário.

Rastreabilidade e identificação dos

dispositivos de ancoragem

A rastreabilidade é um dos aspectos mais importantes da gestão de sistemas de ancoragem.

A NR-35 determina que os dispositivos de ancoragem possuam identificação contendo informações como:

  • fabricante ou responsável técnico;
  • número de lote, série ou outro meio de rastreabilidade;
  • número máximo de trabalhadores conectados simultaneamente ou força máxima aplicável.

Essas informações permitem controlar inspeções, substituições e auditorias, além de garantir que o sistema utilizado corresponde ao projeto e às especificações técnicas previstas.

A documentação é parte da segurança

Um sistema de ancoragem não é composto apenas pelos dispositivos instalados. Sua conformidade depende de um conjunto de documentos que comprovam o correto projeto, instalação, utilização e manutenção.

Entre os principais documentos estão:

  • projeto executivo;
  • memorial de cálculo;
  • ART;
  • especificações técnicas;
  • manual de instalação e utilização;
  • registros das inspeções;
  • laudos técnicos, quando aplicáveis.

Além disso, o Anexo II da NR-35 exige que o sistema possua um procedimento operacional de montagem e utilização, elaborado por profissional qualificado em segurança do trabalho. Esse procedimento deve contemplar montagem, manutenção, alteração, mudança de local e desmontagem, sempre considerando o projeto e as instruções dos fabricantes.

Inspeção é gestão de risco

Empresas que tratam a inspeção apenas como uma obrigação documental acabam aumentando sua exposição a riscos operacionais e legais.

Quando integrada ao programa de gestão da segurança, a inspeção permite identificar não conformidades antes que elas evoluam para falhas do sistema, preservando a integridade dos trabalhadores e contribuindo para a conformidade com a NR-35 e a NBR 16325.

Mais do que verificar equipamentos, inspecionar um sistema de ancoragem significa confirmar que todo o conjunto continua apto a desempenhar sua função quando realmente for necessário.

Como a Atlas Safe desenvolve sistemas de ancoragem seguros

Projetar um sistema de ancoragem seguro vai muito além da instalação de dispositivos certificados. Cada operação possui características próprias, e isso exige uma solução desenvolvida com base em critérios de engenharia, análise de riscos e conformidade normativa.

Na Atlas Safe, cada projeto é conduzido de forma integrada, desde o levantamento técnico da estrutura até a entrega da documentação e do plano de inspeção. O objetivo é garantir que o sistema atenda às exigências da NR-35 e da ABNT NBR 16325, oferecendo segurança durante toda a sua vida útil.

O processo de desenvolvimento de um sistema de ancoragem

A implantação de um sistema de proteção contra quedas segue etapas técnicas bem definidas.

Levantamento e análise técnica

O primeiro passo consiste em compreender as características da operação e da estrutura existente.

Nessa etapa são avaliados fatores como:

  • atividade executada;
  • características da estrutura receptora;
  • necessidade de deslocamento do trabalhador;
  • riscos existentes;
  • possíveis obstáculos abaixo da área de trabalho.

Essas informações servem de base para a escolha da solução mais adequada para cada cenário.

Projeto e dimensionamento

Com base no levantamento técnico, é elaborado o projeto do sistema. O dimensionamento contempla aspectos como:

  • resistência da estrutura;
  • definição dos dispositivos de ancoragem;
  • cálculo da Zona Livre de Queda (ZLQ);
  • esforços transmitidos ao sistema;
  • número máximo de usuários;
  • compatibilidade entre todos os componentes do SPIQ.

Todo esse processo é desenvolvido por Profissional Legalmente Habilitado (PLH) e formalizado por meio do memorial de cálculo e da ART, quando aplicável.

Instalação e entrega técnica

Após a aprovação do projeto, a instalação deve ser executada conforme os critérios definidos na documentação técnica.

Ao final da implantação, o cliente deve receber um conjunto de documentos que permita comprovar a conformidade do sistema, incluindo:

  • projeto executivo;
  • memorial de cálculo;
  • ART;
  • manual de utilização;
  • registros técnicos da instalação;
  • plano de inspeção periódica.

Essa documentação é essencial para auditorias, inspeções e para a gestão do sistema ao longo de sua vida útil.

Gestão e inspeções periódicas

A segurança do sistema não termina com sua instalação.

Para garantir que ele continue atendendo aos requisitos do projeto, é necessário realizar inspeções periódicas, registrar as intervenções executadas e manter toda a documentação atualizada.

Nesse processo, ferramentas digitais como o Atlas Survey contribuem para a gestão das inspeções, o acompanhamento do histórico dos sistemas e a rastreabilidade das informações técnicas.

Conclusão

Os dispositivos de ancoragesmão apenas um dos elementos que compõem um sistema de proteção contra quedas. Sua eficiência depende de um conjunto de fatores que inclui projeto, dimensionamento, instalação, inspeção e documentação técnica.

Ao longo deste artigo, vimos que a conformidade com a NR-35 e a ABNT NBR 16325 exige uma abordagem integrada, considerando aspectos como resistência da estrutura, Zona Livre de Queda (ZLQ), fator de queda, número de usuários, rastreabilidade dos componentes e procedimentos operacionais.

Mais do que atender às normas, investir em um sistema corretamente dimensionado significa reduzir riscos, aumentar a confiabilidade das operações e proteger a vida dos trabalhadores.

Fale com a Atlas Safe

Cada estrutura apresenta desafios específicos e, por isso, não existem soluções universais para sistemas de ancoragem.

A Atlas Safe desenvolve projetos completos de engenharia para proteção contra quedas, contemplando levantamento técnico, dimensionamento, memorial de cálculo, ART, fabricação própria, instalação especializada, documentação completa e inspeções periódicas. Além disso, disponibiliza o Atlas Survey, plataforma que auxilia na gestão das inspeções e na rastreabilidade dos sistemas instalados.

Se sua empresa busca uma solução em conformidade com a NR-35 e a NBR 16325, entre em contato com a equipe técnica da Atlas Safe e descubra como desenvolver um sistema de ancoragem seguro, eficiente e adequado à sua operação.

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